Eduardo Velozo Fuccia
O Ministério Público Estadual (MPE) aditou (acrescentou) a denúncia do processo que apura o assassinato a tiros do vereador guarujaense Luís Carlos Romazzini (PT) para incluir entre os réus o nome de Manoel Ramos dos Santos, o Maneco, ex-vice-prefeito de Guarujá e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.
Além de denunciar Maneco, o MPE requereu a sua prisão preventiva, mas o juiz Valdir Ricardo Lima Pompeo Marinho, da 1ª Vara Criminal, do Júri e das Execuções Criminais de Guarujá, indeferiu o pedido quanto à custódia cautelar.
Formalmente acusado pela morte do vereador, o ex-vice-prefeito nos mandatos 1997/2000 e 2001/2004, nos quais o chefe do Executivo foi Maurici Mariano, tentou desqualificar ontem a denúncia do MPE: “Isso é uma coisa shakespeariana”.
Segredo de justiça
O processo sobre a morte de Romazzini tramita em segredo de justiça. Por esse motivo, a denúncia de Maneco não foi oficialmente anunciada, mas o próprio ex-vice-prefeito e o seu advogado, Marcelo Daniel Augusto, a confirmaram para A Tribuna.
No dia 13 de dezembro do ano passado, os delegados Cláudio Rossi e Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, respectivamente, titular e assistente da Delegacia de Guarujá, anunciaram durante entrevista coletiva a captura de dois acusados de envolvimento na morte do vereador, durante suposto assalto à sua residência.
A dupla não teve os nomes revelados. Naquela época, os delegados já alegavam o segredo de justiça, justificando que a notícia das prisões só era divulgada para dar uma “satisfação à sociedade e aos familiares e amigos do vereador”.
Confissão
Um dos detidos é um adolescente de 16 anos, que encontra-se internado na Fundação Casa (antiga Febem) por determinação judicial. O outro é adulto, já cumpriu pena por roubo e agora está com preventiva decretada. Na ocasião da detenção, recaía sobre ele mandado de prisão temporária de 30 dias.
O adolescente confessou que ele e o adulto preso entraram no quintal da casa de Romazzini com o propósito de assaltar. Ainda conforme o menor de idade, um terceiro ladrão permaneceu na rua, dando cobertura e os aguardando em um automóvel.
Apesar de o adolescente admitir o seu envolvimento e incriminar o outro detido, Rossi não se deu por satisfeito. “Para a Polícia Civil não basta a confissão”, emendou durante a coletiva. O delegado explicou que as investigações prosseguiriam em sigilo para reunir mais provas, identificar outros eventuais participantes e elucidar a real motivação do crime, embora o menor de idade tenha apresentado a versão de latrocínio.
Suposto interesse
Maneco chegou a ser ouvido na fase do inquérito policial, negando qualquer ligação com a morte do parlamentar. A Tribuna apurou que ele foi intimado pela Polícia Civil a depor porque testemunhas o apontaram como suposto interessado na eliminação do vereador.
Rossi e Lara não vislumbraram elementos suficientes no inquérito para indiciar o ex-vice-prefeito. Mas os promotores André Luiz dos Santos, Antônio Benedito Ribeiro Pinto Júnior e Rubens Andrade Marconi, analisando o conteúdo do mesmo procedimento de investigação, tiveram entendimento contrário, não só denunciando Maneco como também requerendo a sua prisão preventiva.
No exercício de seu segundo mandato de vereador, Romazzini disputou uma vaga à Assembleia Legislativa no ano passado. Apesar de não se eleger, obteve 18.447 votos. A votação foi considerada expressiva por ser a melhor entre os candidatos de Guarujá a deputado estadual e federal. Maneco chegou a coordenar a campanha, mas divergências com a vítima o motivaram a deixar a função antes das eleições.
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