Comandante da PM da região diz que ronda supre demanda
De A Tribuna On-line
Massacre no Rio levantou a discussão: como proteger as crianças nas escolas?
O massacre ocorrido nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, iniciou a discussão de como proteger estudantes de atos criminosos imprevisíveis. "Não há possibilidade de colocarmos um policial em cada escola", afirma o comandante do Comando de Polícia do Interior (CPI-6), responsável pela Baixada Santista e Vale do Ribeira, Sérgio Del Bel.
Para garantir a segurança em torno das escolas, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, segundo o próprio comandante, realiza há cerca de dez anos a Ronda Escolar, que visa garantir a tranquilidade daqueles que frequentam e estão no entorno das instituições de ensino, públicas ou particulares. "A criminalidade neste contexto caiu bastante desde que foi implementado o projeto", garante.
O responsável pelo policiamento na região explica ainda que é totalmente inviável deslocar pelo menos um soldado para cada instituição de ensino. "A sociedade precisa compreender que não há contingente. Se fosse dessa forma, teríamos que colocar um PM em cada lugar que é assaltado, e isso não é possível". Como alternativa para suprir a demanda, ele coloca à disposição as rondas em horários específicos.
Internautas defendem policiamento fixo
Até as 13 horas, 60% dos 490 internautas que responderam à enquete de A Tribuna On-line, sobre quais medidas poderiam ser tomadas para aumentar a segurança nas escolas brasileiras, são a favor de policiamento fixo em cada instituição de ensino.
Já 30% defendem detector de metais nas portas das instituições, 6% sugerem a revista pessoal, e 4% a apresentação dos documentos dos alunos.
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Especialista aponta necessidade de acompanhamento
"Gente armada perto de escola é um perigo. Seja policial ou ladrão", explica a psicopedagoga mestre em educação e especialista em psicologia escolar, Flávia Henriques. A profissional defende um trabalho específico de prevenção e acompanhamento individual do aluno, seja acadêmico ou pessoal, para que ele possa ter todo amparo necessário para crescer.
Segundo ela, é preciso, antes de qualquer vigilância, construir todo o contexto para evitar qualquer ação criminosa. "A situação do assassino chegou a um patamar que extrapolou todos os limites. Não pode ser somente bullying", esclarece. "É muito difícil encontrar alguém que chegue em alguma escola armado para matar os alunos. Então não há por que barrar, ainda mais se for uma pessoa conhecida dos funcionários".
Para evitar esse tipo de tragédia, Flávia diz que é necessário um trabalho específico. "Não se pode apenas construir o prédio da escola. É essencial que se consolide toda a estrutura dentro dela", explica, fazendo alusão a todo corpo docente e discente presente nas instituições particulares e públicas. "Os acompanhamentos têm que apresentar resultado concreto e evitar com que o aluno seja encaminhado para outros órgãos".
Prefeituras dizem ter efetivo para segurança
A Guarda Municipal de Santos informa que faz rondas diariamente nas escolas com cinco viaturas, focando o horário de entrada e saída dos alunos. Em cerca de 10 unidades, que ficam em regiões mais violentas, existe a presença constante de um agente. Todo patrulhamento é feito para dar apoio à Polícia Militar, responsável pela segurança pública da cidade, que possui o trabalho de rondas escolares e o Proerd, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência.
Em Guarujá, há 250 câmeras instaladas em unidades públicas da rede municipal de ensino (Caecs, Neim’s e escolas). Segundo o guarda civil municipal Rogério Martins Pereira, que coordena a execução de monitoramento da Cidade, 73 escolas já são beneficiadas com o equipamento. O monitoramento é transmitido em tempo real e prevê a segurança do aluno junto à ronda escolar.
A Guarda Municipal de São Vicente, em parceria com a Secretaria de Educação (Seduc), promove o monitoramento com câmeras 24 horas em todas as 59 escolas (Emeis, Emefs, Emeiefs e Numaa). Uma central acompanha em tempo real o dia a dia das unidades de ensino. Além disso, a Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), junto com a Seduc, mantém vigias das 7h às 22h30.
A Subsecretaria de Segurança de Praia Grande informa que, das 61 escolas municipais, apenas uma não possui câmeras de monitoramento. Todas as unidades, entretanto, possuem um “botão de pânico”, equipamento que não emite som (silencioso) e que quando utilizado, imediatamente aciona a central de operações, que envia ao local viaturas da Guarda Civil Municipal e Polícia Militar. A Secretaria de Educação da Cidade garante que o acesso às escolas é controlado por funcionários.
As Unidades Municipais de Ensino (Umes) de Cubatão contam com vigilância realizada por empresa terceirizada e por alguns funcionários da prefeitura. Os vigilantes que ficam na portaria das escolas e fazem o primeiro atendimento ao público. O serviço conta ainda com vigilantes rondantes, que passam pelas escolas para verificar se há ocorrências ou anormalidades. A Cidade não conta com guardas municipais.
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