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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Radiação

Ministro da Saúde descarta risco de contaminação para o Porto de Santos

Fernanda Balbino

Créditos: Rogério Soares

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que esteve em Santos na última quinta-feira, afirmou que “a possibilidade de contaminação por radiação no Porto de Santos é baixa”. O risco existe apenas a partir da ingestão de alimentos que tiveram contato com material radioativo, explicou. 

A partir da próxima segunda-feira, todas as cargas de alimentos que chegarem ao Brasil provenientes do Japão serão analisadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Em entrevista a A Tribuna na noite de quinta-feira, ao passar pelo Centro da Cidade, o ministro afirmou que o Brasil vai seguir as recomendações da Organização
Mundial da Saúde. E descartou o risco de contaminação dos profissionais que atuam no Porto. “A recomendação é continuar fazendo todo o procedimento padrão de fiscalização e monitoramento”.

A Anvisa, do Ministério da Saúde, o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Pesca e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) participaram da definição das medidas adotadas pelas autoridades brasileiras, para evitar a  contaminação com a radiação que vazou da usina nuclear de Fukushima, após o terremoto do dia 11 de março, no Japão.

O diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da CNEN, Laércio Vinhas, participou de uma das reuniões técnicas que subsidiaram a decisão do Governo. Ele explicou que, por conta dos 30 dias de duração da viagem, não existe a possibilidade de contaminação em navios ou contêineres, como aconteceu na China. Lá, o governo registrou alto índice de radiação no porta-contêiner Presence, que estava atracado no Porto de Xiamen na última terça-feira.  “A viagem do Japão ao Brasil dura cerca de um mês e, nesse tempo, o navio é exposto a chuvas e outras intempéries que não permitiriam a chegada da radiação aqui”,
explicou.

Vinhas afirmou ainda que, pelos níveis de radiação registrados no Japão, não há necessidade de cuidados excessivos com o que não vai ser ingerido.
A gerente-geral de alimentos da Anvisa, Denise Resende, informou que todos os produtos alimentícios vindos do Japão deverão ter certificados assinados pela autoridade sanitária japonesa anexados à declaração de importação. O documento será a garantia de que a carga está com níveis de radiação dentro do permitido.

Análises
Os fiscais da Anvisa e do Ministério da Agricultura farão as inspeções de rotina nos navios e vão retirar amostras de alimentos para análise da CNEN. O peso das amostras vai variar de três a cinco quilos. Elas serão encaminhadas a dois laboratórios da Comissão – o Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), no Rio de Janeiro,e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen),em São Paulo. 

Os alimentos serão analisados e, se estiverem com níveis aceitáveis de radiação, liberados para consumo. Em caso de contaminação, serão incinerados ou devolvidos ao país de origem.

Trabalhadores no Porto
A princípio, não foram determinados procedimentos especiais para fiscais agropecuários e trabalhadores portuários que entram nas embarcações.

A Anvisa acredita que não há risco considerável para os fiscais que inspecionam navios nos portos brasileiros. A mesma opinião tem o diretor da CNEN, mas ele considera que equipamentos de proteção devem ser utilizados. “O manuseio e a proximidade com objetos, nesse caso, não são prejudiciais. Mesmo assim é  importante o uso de luvas por precaução”, explicou.

O presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Wilson Roberto Sá, afirmou que a categoria vai continuar insistindo  em medidas efetivasde segurança. Ele disse ainda que vai acionar o Ministério Público por não concordar com as orientações. Ele considera que a categoria
será exposta à riscos de saúde.

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