Mercado de trabalho
Marcelo Santos
A cidade do pré-sal e do maior porto da América Latina também se tornou séria candidata a capital nacional do call center, setor das empresas que oferecem serviços terceirizados de atendimento telefônico para bancos, companhias de telefonia e TV paga e varejistas.
Com as atividades em Santos da Atento, do Grupo Telefônica, e da expansão da Tivit, a expectativa do setor é que as duas empresas empreguem sozinhas pelo menos 12 mil trabalhadores em Santos dentro de poucos anos.
A Atento deve se instalar já no dia 1º na Rua Visconde de São Leopoldo (continuação da João Pessoa após a Praça dos Andradas), no Centro, no prédio histórico dos Armazéns Gerais Theodor Wille, antiga empresa de café que não opera mais no Brasil.
Na semana passada, o prédio ainda estava em obras na parte voltada para a Visconde de São Leopoldo, mas dezenas de cadeiras estavam sendo entregues nos fundos pela Rua Alexandre Rodrigues (via atrás da CPFL e antiga Light).
O presidente da regional do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações (Sintetel), Genivaldo Barrichello, afirma que no momento o setor de call center está concentrado em Santos na Tivit, que hoje ocupa o antigo prédio da Unimonte na Avenida Senador Feijó, pouco antes da esquina com a Rangel Pestana.
A Tivit começou a operar em Santos em novembro e hoje tem 1.500 funcionários, segundo Barrichello. São atendentes que prestam serviços aos clientes da Net, Bradesco e outros bancos menores, conforme o sindicalista.
A Atento hoje funciona no prédio da Telefônica na Rua Xavier de Toledo, no Campo Grande. Porém, conta Barrichello, são apenas 300 funcionários. Ele diz que o número será ampliado para 2 mil após a transferência da empresa para a Visconde de São Leopoldo.
O sindicalista diz queno momento não há informações de que a Contax (Grupo Oi), ao lado da Tivit e Atento uma das três grandes do setor, venha para Santos.
Barrichello, que tem participado de reuniões com as empresas para acelerar a difícil contratação de pessoal, diz que a Tivit pretende ampliar seu quadro para 5 mil funcionários nos próximos anos e a Atento para 7 mil, chegando ao total de 12 mil. Ele conta que pediu a ajuda de outros três sindicatos para cadastrar candidatos para preencher as vagas.
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, as contratações de operadores de telemarketing se concentraram em dois eses na Baixada Santista. Foram 642 em dezembro e mais 279 em março. Os dados de maio e junho não estão computados. O Caged revela também o salário médio da categoria. Em dezembro, os admitidos tiveram uma remuneração de R$ 729,83 e, em março, de R$ 879,33.
Segundo o sindicalista, os iniciantes recebem um pouco acima do salário mínimo para uma jornada de seis horas. Os que fazem o suporte do Speedy chegam a receber R$ 900,00. Porém, os operadores têm direito a prêmios, o que ajuda a melhorar o ganho mensal.
Apesar do salário baixo, os call centers estão roubando profissionais de outras funções de baixa remuneração, como limpeza e construção. Além da jornada de 6 horas, fácil de ser combinada com estudos e um segundo emprego, o trabalhado é feito sentado e com ar-condicionado.
Porém, atendentes reclamam que o serviço não é nada fácil as broncas dos clientes da TV paga, operadoras de telefonia e bancos são pesadíssimas e constantes.
Quem quiser trabalhar nas empresas de call center deve procurar o Sintetel na Rua Carvalho de Mendonça, 530 (altura da Vila Belmiro), em Santos, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30, ou escrever para sintetel.santos@terra.com.br. É preciso ter Ensino Médio completo e 18 anos.
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