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domingo, 17 de julho de 2011

Canal do Rio Jurubatuba em risco devido Obras no Terminal Embraport

Rio Jurubatuba
Canal do Rio Jurubatuba em risco



Marcos Mojica

Os moradores da Ilha Diana, na Área Continental de Santos, estão revoltados com o desbarrancamento ocorrido, neste sábado, por volta das 8h30, na foz do Rio Jurubatuba. Eles alegam que o fato impediu o acesso ao rio na maré baixa e que teria sido proposital. Máquinas da construtora Odebrechet trabalham 24 horas no local para a construção do cais da Embraport, e teriam causado o assoreamento.

A denúncia partiu do aposentado João Rodrigues, ex-pescador, morador da ilha. Segundo o sargento Josias, da Capitania dos Portos de São Paulo, o desmoronamento realmente ocorreu, porém, ele não tinha mais detalhes sobre o problema.

As assessorias de Imprensa, tanto da Odebrechet, quanto da Embraport, não responderam às ligações de A Tribuna para esclarecer o caso. O secretário municipal de Meio Ambiente, Fábio Nunes, também não foi localizado. Já o oficial da Defesa Civil de Santos, José Ferrari, disse desconhecer o assunto.
Agressão ao Meio Ambiente


Segundo o morador da ilha João Rodrigues, as obras estão provocando desmatamento da área de mangue e prejudicando o meio ambiente e a economia local. Ele estima que 90% dos moradores, de um total de 53 famílias residentes na Ilha Diana, vivem da pesca. Impedidos de acessar o rio, os pescadores perdem boa parte de suas rendas. E as mulheres, que vão às margens do rio para catar mariscos e ostras, em barcos a remo, também estão sendo prejudicadas.

Os moradores reclamam e acusam a empreiteira de querer fechar definitivamente o acesso ao Rio Jurubatuba, que também é fonte de renda para a pesca de lazer e dá acesso à cachoeira, local que atrai turistas à ilha. Nele também está localizado o reservatório de tratamento de água da Sabesp.

Temor de represálias

A Reportagem de A Tribuna foi ao local ontem à tarde, para apurar a denúncia. Entretanto, somente um pescador aceitou levar nosso fotógrafo na área onde ocorreu o desbarrancamento. Isto porque muitos deles prestam serviços à Odebrechet e temem por represálias por parte da empresa.

Sem querer ser identificado, outro morador disse que, além do desbarrancamento, há a questão dos pescadores, barrados por barcas: “Eles já cercaram outras áreas com aterros, que provocaram a morte de milhares de peixes e até de tartarugas”.

João Rodrigues afirma que a comunidade já recorreu, em outras situações, à polícia ambiental, mas que eles sequer ficaram sabendo dos resultados da ação ou se foram feitas autuações. Ele alega que a empreiteira pretende fechar o canal, facilitando a ligação entre a administração e o canteiro de obras que está construindo um novo cais para a Embraport. O aposentado comentou também que existe outro acesso ao rio, mas teria que ser feito por um trajeto muito mais longo, por Cubatão, o que seria impraticável para as catadoras de ostras e mariscos.

Parte da renda do local também se baseia na criação de camarões vivos, usados na pesca esportiva e captura de caranguejos.

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