Rio Jurubatuba
Canal do Rio Jurubatuba em risco
Marcos Mojica
Os moradores da Ilha Diana, na Área Continental de Santos, estão revoltados com o desbarrancamento ocorrido, neste sábado, por volta das 8h30, na foz do Rio Jurubatuba. Eles alegam que o fato impediu o acesso ao rio na maré baixa e que teria sido proposital. Máquinas da construtora Odebrechet trabalham 24 horas no local para a construção do cais da Embraport, e teriam causado o assoreamento.
A denúncia partiu do aposentado João Rodrigues, ex-pescador, morador da ilha. Segundo o sargento Josias, da Capitania dos Portos de São Paulo, o desmoronamento realmente ocorreu, porém, ele não tinha mais detalhes sobre o problema.
As assessorias de Imprensa, tanto da Odebrechet, quanto da Embraport, não responderam às ligações de A Tribuna para esclarecer o caso. O secretário municipal de Meio Ambiente, Fábio Nunes, também não foi localizado. Já o oficial da Defesa Civil de Santos, José Ferrari, disse desconhecer o assunto.
Agressão ao Meio Ambiente
Segundo o morador da ilha João Rodrigues, as obras estão provocando desmatamento da área de mangue e prejudicando o meio ambiente e a economia local. Ele estima que 90% dos moradores, de um total de 53 famílias residentes na Ilha Diana, vivem da pesca. Impedidos de acessar o rio, os pescadores perdem boa parte de suas rendas. E as mulheres, que vão às margens do rio para catar mariscos e ostras, em barcos a remo, também estão sendo prejudicadas.
Os moradores reclamam e acusam a empreiteira de querer fechar definitivamente o acesso ao Rio Jurubatuba, que também é fonte de renda para a pesca de lazer e dá acesso à cachoeira, local que atrai turistas à ilha. Nele também está localizado o reservatório de tratamento de água da Sabesp.
Temor de represálias
A Reportagem de A Tribuna foi ao local ontem à tarde, para apurar a denúncia. Entretanto, somente um pescador aceitou levar nosso fotógrafo na área onde ocorreu o desbarrancamento. Isto porque muitos deles prestam serviços à Odebrechet e temem por represálias por parte da empresa.
Sem querer ser identificado, outro morador disse que, além do desbarrancamento, há a questão dos pescadores, barrados por barcas: “Eles já cercaram outras áreas com aterros, que provocaram a morte de milhares de peixes e até de tartarugas”.
João Rodrigues afirma que a comunidade já recorreu, em outras situações, à polícia ambiental, mas que eles sequer ficaram sabendo dos resultados da ação ou se foram feitas autuações. Ele alega que a empreiteira pretende fechar o canal, facilitando a ligação entre a administração e o canteiro de obras que está construindo um novo cais para a Embraport. O aposentado comentou também que existe outro acesso ao rio, mas teria que ser feito por um trajeto muito mais longo, por Cubatão, o que seria impraticável para as catadoras de ostras e mariscos.
Parte da renda do local também se baseia na criação de camarões vivos, usados na pesca esportiva e captura de caranguejos.

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