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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Moradora que fez curso de pedreiro em Guarujá enfrenta preconceito na profissão

Papo com editor

Simone Queirós


Helena Creusa do Nascimento, de 37 anos, trabalha como pedreira por conta própria

Ao ver no Diário Oficial de Guarujá que o Posto de Atendimento ao Trabalhador do Município (PAT) tinha 160 vagas na área da construção civil, Helena Creusa do Nascimento, de 37 anos, se animou: era a oportunidade que esperava para, quem sabe, ter um emprego estável. Foi até o local na manhã de 12 de julho, uma terça-feira, para se candidatar a uma das 20 vagas de pedreiro na Cidade.


A animação, entretanto, logo se transformou em decepção. Ela ouviu do atendente que não podia ser aceita para o posto pelo fato de ser mulher. Estupefata, Helena não podia acreditar que era verdade. Em abril do ano passado, foi justamente o contrário o que ela escutou ao se formar no curso de Profissionalização na Construção Civil, oferecido em parceria entre a Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Federação das Mulheres Paulistas e Prefeitura de Guarujá.

O curso fez parte do Programa Próximo Passo e formou 40 mulheres no total. “Na época disseram que teríamos prioridade para trabalhar nas obras públicas. O programa foi feito justamente para isso. Quando uma oportunidade aparece, simplesmente não me aceitam? Isso é discriminação. Não pediram meus documentos ou minha carteira de trabalho. Simplesmente me rejeitaram pelo fato de eu ser mulher. Liguei no Governo Federal, porque a obra é deles, e mandaram fazer uma reclamação na Ouvidoria. É o que vou fazer”.

Bicos

Enquanto isso, Helena trabalha em obras particulares. No momento está terminando um banheiro na casa de Valéria Futata. “Já me mudei várias vezes e tenho muita experiência com trabalhadores da construção civil. O trabalho dela é muito melhor que o dos homens. Presta atenção ao acabamento, entende tudo o que eu digo. Agora estou segura que o serviço está saindo do jeito que eu quero”, conta Valéria, que ficou indignada quando soube da situação e contatou A Tribuna para torná-la pública.

Helena, mãe de seis filhos e com sete netos, não escolheu este ofício apenas pela necessidade. Batalhadora, esta moradora de Morrinhos já se capacitou para ser manicure, cabeleireira e até gestora empresarial. Mas, ao optar pela mesma profissão de alguns de seus irmãos e de um filho, ela explica que a preferência “está no sangue”.

“Eu poderia estar em um escritório, só no computador. Mas não gosto. O que me satisfaz é trabalhar com obra mesmo”. Tanto que, em 2004, fez um curso de Elétrica para entrar na área.

Confirmação

A informação ‘sobre a restrição ao sexo foi confirmada pela Prefeitura. O Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) informa que a munícipe fez o cadastro normalmente no órgão. “Mas quanto à vaga específica para pedreiro e ajudante geral, o próprio empregador tem a decisão quanto à preferência aos candidatos de sexo masculino ou feminino. Neste caso, a opção da empresa foi a dos trabalhadores do sexo masculino.

O atendente apenas informou a munícipe sobre a escolha do empregador. O fato ocorrido com essa munícipe foi isolado, mas, de qualquer forma, a Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert- Santos) irá averiguar”.

A Sert-Santos, que gerencia o PAT Guarujá, informa que o órgão serve como intermediador, fazendo o papel de aproximar a empresa do candidato à vaga. Os PATs não têm influência no poder de contratação dos trabalhadores. O PAT segue as determinações do Ministério do Trabalho e Emprego, que diz que o anúncio para as vagas de emprego não pode discriminar sexo e idade. O anúncio tem que ter apenas a escolaridade, a função, o número de vagas e a experiência, mesmo que não seja comprovada na Carteira de Trabalho. O PAT não informou o nome da empresa contratada para realizar a obra pública

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