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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vale ampliará operações no Porto de Santos investimentos na ordem de R$ 432 milhões

Investimento
Samuel Rodrigues

Atualizado às 12h22

A mineradora Vale, maior empresa privada do País, planeja investir R$ 3,5 bilhões em suas áreas de logística e fertilizantes no Estado nos próximos três anos, com forte incremento de suas operações no Porto de Santos.


Uma parcela de R$ 432 milhões financiará, segundo os planos da empresa, a ampliação do Terminal Marítimo da Vale Fertilizantes (antiga Ultrafértil), localizado à margem do Canal de Piaçaguera, na Área Continental de Santos. O restante deve ser utilizado na compra de novas locomotivas e vagões, na ampliação de pátios e na construção de terminais ferroviários.

A empresa utilizará recursos próprios e de parceiros comerciais nos projetos, que ainda dependem de autorização de seu conselho de administração.

Pelo terminal santista, a Vale importa 2,3 milhões de toneladas de cargas a granel anualmente. A movimentação preponderante é de amônia, base para a produção de fertilizantes, e enxofre. O aporte anunciado elevará essa capacidade para 16 milhões de toneladas por ano, segundo a empresa, o que corresponde a um incremento de 600%.

O objetivo é operar outras cargas no sentido exportação, especialmente as agrícolas. A Vale mira os carregamentos de açúcar e soja atualmente escoados pelos portos de Paranaguá, no Paraná, e São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Os dois complexos concorrem com Santos no escoamento de granéis produzidos na área de influência do complexo paulista.

O Porto de Santos, como um todo, tem capacidade para operar 36,4 milhões de toneladas de granéis sólidos por ano, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), sua administradora. O incremento feito pelo investimento da Vale, seaprovado econcretizado, será de 37,6%, elevando a 50,1 milhões de toneladas o potencial do complexo para estetipo de carga.

A Tribuna apurou queas importações de amônia, enxofre e fertilizantes pelo terminal irão dobrar, enquanto a movimentação de açúcar e soja, no sentido exportação, somará entre 6,5 milhões e 9 milhões de toneladas por ano. Segundo uma fonte do setor, o berço de que a empresa dispõe hoje já funciona “a todo vapor”.

A principal modificação no terminal, com impacto direto na operação do Porto, é a construção de dois píeres para atracação simultânea de até quatro navios dos tipos Panamax e Handymax. São classes de embarcações de médio e pequeno portes, adequadas à realidade atual do segmento de granéis sólidos. Com o píer existente hoje, a Vale pode receber somente um navio por vez.

Segundo o projeto, dois berços (considerando o existente) serão voltados para a importação de enxofre e fertilizantes, aumentando em 3 milhões de toneladas a capacidade de operação com este tipo de carga na atracação. Mais dois berços de atracação serão usados exclusivamente para a exportação de granéis e poderão embarcar até 9 milhões de toneladas por ano.

Todos os pontos de atracação poderão mover também granéis líquidos, o que indica um interesse futuro da empresa em entrar neste segmento. O etanol é uma das possibilidades analisadas.

A Vale informou que as novas cargas movimentadas (tanto os maiores carregamentos de amônia e enxofre como o açúcar e a soja) vão chegar ou partir do Porto por ferrovia. A escolha pelo modal – considerado ideal para o transporte de granéis sólidos– demandará a construção de uma pera ferroviária no terminal e investimentos na infraestrutura de chegada (aquisição de novas locomotivas e vagões, ampliação de pátios e construção de terminais ferroviários).

A alocação de recursos para omodal será feita pormeio da concessionária Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela Vale.

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